Em Homem-Aranha: Um Novo Dia, a IA é a única amiga de Peter Parker. E isso me fez sair do cinema pensando…
Fui ao cinema para assistir a mais um filme do Homem-Aranha. Esperava cenas de ação, humor e grandes batalhas. Mas, quando as luzes se acenderam, o que eu levei comigo não foi uma luta contra um vilão. Foi uma reflexão.
Em Homem-Aranha: Um Novo Dia, Peter Parker está completamente sozinho. Depois de tudo o que aconteceu em Sem Volta para Casa, ninguém mais se lembra dele. Não há amigos para ligar, família para conversar ou alguém para dividir o peso da rotina.
Quem ocupa esse espaço é E.V., uma Inteligência Artificial criada por ele.
Ela responde, aconselha, acompanha e está sempre presente.
Naquele momento, parei de enxergar apenas um personagem da Marvel. Comecei a pensar na nossa própria realidade.
Quantas vezes, nos últimos meses, você abriu uma IA antes mesmo de mandar uma mensagem para alguém?
Quantas dúvidas você resolveu conversando com um assistente virtual? Quantas ideias organizou? Quantos textos escreveu? Quantas conversas teve?
Percebi que, sem notar, a Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma tecnologia impressionante. Ela começou a fazer parte da nossa rotina de uma forma muito mais íntima.
E isso não é, necessariamente, algo ruim.
A IA está nos ajudando a aprender, criar, trabalhar e economizar tempo. Mas o filme levanta uma pergunta que vai muito além da tecnologia:
O que acontece quando a única presença constante na vida de alguém é uma Inteligência Artificial?
Peter Parker não conversa com E.V. porque ela é melhor do que as pessoas.
Ele conversa com ela porque não sobrou mais ninguém.
Essa é a parte que mais me marcou.
Vivemos na era da hiperconectividade. Nunca tivemos tantas formas de nos comunicar e, ao mesmo tempo, tantas pessoas enfrentando a solidão.
Talvez seja por isso que a história faça tanto sentido.
A Inteligência Artificial não substitui um abraço, uma amizade ou uma conversa olho no olho. Mas ela está ocupando um espaço que, em muitos casos, ficou vazio.
Saí do cinema pensando que o verdadeiro tema de Homem-Aranha: Um Novo Dia não é sobre um super-herói.
É sobre nós.
Sobre como estamos construindo nossas relações em um mundo onde a tecnologia está sempre disponível, enquanto as pessoas nem sempre estão.
E talvez a pergunta mais importante não seja até onde a IA vai evoluir, mas sim:
Será que estamos preparados para um futuro em que ela deixe de ser apenas uma ferramenta e passe a ser a principal companhia de muitas pessoas?
Essa reflexão ficou comigo muito depois dos créditos finais. E, sinceramente, acho que esse é o tipo de pergunta que vale a pena levar para além do cinema.
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